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Publicação : Notícias (59)

Não há crise, há mudança

Publicado em 15 Março 2005 11:41:41
(1097 Leituras)

Em entrevista à AFIA, Cláudio Resende explica os objectivos do Estudo da Arquitectura Prospecto-Estratégica de Competências para a Inovação do Cluster Automovel e a sua importância para o desenvolvimento do Sector.
Em 2004 foi estabelecido um protocolo entre a Competinov, o TecMinho e a AFIA tendo em vista o desenvolvimento do Estudo da Arquitectura Prospecto-Estratégica de Competências para a Inovação do Cluster Automóvel constituído no âmbito do Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS).

O grande objectivo deste estudo/acção, com término a 31 de Janeiro do corrente ano, passou pela definição das competências chave a desenvolver nos quadros superiores do cluster automóvel para que se consiga conquistar o melhor dos futuros possíveis, ultrapassando problemas previstos e optimizando as oportunidades dadas pelos desafios igualmente previstos. Em entrevista à AFIA, Cláudio Resende explica os objectivos deste estudo e a sua importância para o desenvolvimento do Cluster Automóvel Português.

1. Como surgiu a ideia de desenvolver um estudo como o Estudo da Arquitectura Prospecto-Estratégica de Competências para a Inovação do Cluster Automóvel, dado o sector automóvel ser um sector já com bastantes indicadores em Portugal?

A Competinov, tem vindo a desenvolver uma actividade extremamente dinâmica junto das empresas do sector automóvel, operando na área da inteligência económica, mormente no apoio ao desenvolvimento de produtos industriais inovadores para novos mercados, de forma a diminuir o risco de empresas que laboram com um diminuto leque de clientes, daí que tenha sido possível identificar um conjunto de necessidades que acabaram por suscitar o nascimento deste projecto.
Acreditamos que não existe crise, e sim mudança, mostrando-se essencial que os diferentes quadros do sector estejam de vigia. Com este objectivo de responder à necessidade de detectar mudanças e antecipar o futuro do cluster automóvel, surgiu o Estudo da Arquitectura Prospecto-Estratégica de Competências para a Inovação do Cluster Automóvel.

2. A resposta a questões do tipo “onde estamos” e para “onde queremos ir” implicam que se equacionem alternativas às actuais estruturas, de forma a agilizar dinâmicas capazes de garantirem aumento de eficácia e definição de estratégias. Como é que, na sua opinião, o estudo poderá ajudar os empresários as fazer as suas opções e traçar a sua rota?

Este estudo apresenta-se como um instrumento de aceleração de respostas e aprendizagem com vista ao alinhamento ou re-alinhamento estratégico do foco do cluster nacional em ordem ao futuro e aos centros de decisão internacionais.
O estudo fornece informação diversa e complementar cruzando pontos fortes e fracos do presente do cluster, através da análise do potencial e capacidade económico-financeira dos diversos sectores do foco do cluster automóvel português.
Em complemento, pretendeu-se identificar quais as oportunidades e ameaças que provém da análise do futuro, identificando-se as realidades futuras potenciais com maiores impactos no actividade do cluster; descortinando-se quais os diferenciais perceptivos entre os empresários nacionais e os centros de decisão internacionais; e catalogando-se competências-centrais que o cluster nacional necessita desenvolver para conquistar o futuro.
Objectivamente este estudo permite que os empresários conheçam o estado actual do seu sector económico e financeiramente, podendo compará-lo com os restantes; identificar quais as realidades com maior impacto na actividade futura do cluster e quais a competências-centrais para conquistar o futuro, isso segundo as visões de cada sector, do cluster em geral e dos centros de decisão internacionais.
Gostaríamos de realçar, que os empresários têm neste estudo um instrumento sobre o presente e o futuro do cluster, na base do qual podem definir os seus caminhos, a sua estratégia. Tendo por base este “mapa”, é dada ao empresário a possibilidade de desenvolver a sua equipa, construir o “barco”, que orientado pelo farol da inovação alcance o porto desejado: da competitividade e do crescimento sustentado.
Um elemento decisivo em todo este estudo decorre da identificação de desafios empresariais que concentrem a atenção de todos, que tracem linhas de rumo transversais, mas que paralelamente fomentem a possibilidade de cada empresário se posicionar de modo relativo e personalizado na abordagem que faz ao mercado.

3.Em termos metodológicos, qual foi a forma encontrada para recolher as informações desejadas?

Um dos factores que mais fortaleceu os resultados encontrados, a sua extensão e fidedignidade, relaciona-se com o contexto de recolha de dados.
Muito embora tenha existido uma grande paridade e complementaridade entre a utilização de dados secundários e dados primários, efectivamente, as recolhas de informação junto do público nacional e internacional privilegiaram a recolha de dados primários.
Esta foi uma dimensão que nos garantiu a veracidade dos dados recolhidos e apresentados, como introduz uma grande mais valia ao contexto global do estudo.
De referir que para o caso nacional as recolhas foram realizadas tendo por base o público total e não amostras, o que valoriza ainda mais a amplitude os resultados.
Foi desenvolvida uma metodologia sistémica e integrativa, em que os contextos de recolha geraram e influenciaram os que lhe seguiram temporalmente. Criou-se um quadro global de compressão do presente e do futuro do cluster, das suas capacidades, mas também das principais realidades futuras e competências para as conquistar.
Procuramos igualmente que a metodologia fosse de per si inovadora.

4. Parece-lhe haver diferenças significativas entre a “inteligência colectiva” internacional e a nacional? Se sim, poderá dar-nos uma ideia das mesmas?

Muito embora todos estes dados possam ser conferidos e debatidos durante a divulgação do estudo com os empresários do cluster, podemos desde já adiantar que foi possível identificar algum diferencial entre dois públicos, o que deixa margem à reflexão e decisão acerca de potenciais re-alinhamentos entre a inteligência partilhada nacional e os centros de decisão internacional.
De um modo geral, os empresários nacionais centram as suas preocupações em problemas mais voltados para o curto prazo (os custos, a produção, concorrência), em oposição os centros de decisão internacionais deixam perceber que as suas preocupações estão mais voltadas para o médio e longo prazo, mais orientados para questões de investigação e desenvolvimento, ambiente, entre outras.
Mas podem também conferir-se diferenciais entre os diversos sectores que constituem o cluster nacional, quer em termos das realidades futuras mais valorizadas, quer em termos das competências necessárias para conquistar o futuro. Aliás, mesmo ao nível da capacidade económico-financeira podem-se encontrar casos curiosos no posicionamento relativo de cada um dos sectores do foco do cluster automóvel português.

5.Obviamente que as conclusões do estudo serão tão mais válidas quanto disseminadas e apreendidas pelos diversos actores envolvidos. Como pensam fazer chegar a informação e fomentar a reflexão?

Existe uma estratégia de disseminação e divulgação de resultados bem definida.
Desde o início do projecto esta foi uma das questões a que demos maior relevo. O estudo só será verdadeiramente bem sucedido se se conseguir chegar ao público-alvo para o qual foi desenvolvido. Nesse sentido já existem iniciativas de divulgação bem definidas e programadas.
Serão realizados diversos seminários em Março/Abril do presente ano, onde serão apresentados e discutidos de modo alargado os resultados do estudo. Em complemento serão distribuídos no decorrer dos seminários publicações digitais (CD’s) com o estudo, onde se encontram resumidas as suas principais conclusões e linhas orientadoras.
Do mesmo modo tentou-se perspectivar a continuidade da discussão e das interacções iniciadas nos seminários, sendo para isso disponibilizada uma plataforma colaborativa para os diversos empresários e demais instituições com interesse no cluster, que perpetuará a disseminação dos resultados do estudo.

6. Que tipo de comentários/recomendações gostaria de nos deixar?

Pensamos que interessa vincar, que não importa continuar a dar “martelos” aos colaboradores das empresas do cluster automóvel, quando os problemas com os quais se deparam no seu dia a dia já não são “pregos”. As ferramentas cognitivas para encarar as novas realidades da sociedade da informação e do conhecimento são outras, por esse facto é necessária a sua identificação e criação de condições nas empresas para o seu desenvolvimento.
Obviamente que terá que existir um papel activo, para que criando uma rede alimentada pelas relações entre as diversas entidades (empresas do cluster automóvel, centros tecnológicos, associações, universidades, empresas com competências na área de formação e estratégia) se possam criar as ferramentas de inovação, que casadas com o mercado industrial possam sustentar a conquista do futuro pelo valor acrescentado das ofertas das empresas nacionais do cluster automóvel, tendo por base a diferenciação e a competência.
È portanto essencial que as empresas estejam atentas, se abram à inovação e ao relacionamento, construindo parcerias fortes e sustentadas, de modo a preparem-se adequadamente e com capacidade reforçada para competir no futuro.

7. De que forma poderá este estudo induzir novos estudos/projectos no futuro?

Por certo que este estudo não surge como a panaceia para todos os problemas do cluster, existe muito por estudar e compreender.
Este estudo só terá efeitos se lhe sucederem novas abordagens que o complementem, ou se situem em áreas completamente distintas, que deixem a descoberto novas visões e percepções do cluster das suas capacidades e problemas.
Por outro lado, os resultados deste estudo não deixam de levantar um conjunto de questões e de novas perguntas que importa responder com novas realizações.

Fonte: Revista AFIA Março 2005 nº3

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